Peça rara, numa época em que o móvel de conter por excelência era a arca, este armário-copeiro poderá ser de proveniência conventual.

Trata-se de um móvel de influência holandesa, executado em madeira nacional (castanho). Apresenta dois corpos, com duas portas cada, separados por uma ordem de gavetas e possui molduras fortes e salientes, sendo a da cimalha projetada. Da sua gramática ornamental destacam-se os enrolamentos, entalhados nas almofadas das portas, nos entrepanos e na tarja que o encima, na qual sobressai um querubim alado, ao centro. Característicos são também os relevos geométricos que apresenta nas gavetas, com motivo em ponta de diamante. O corpo superior alberga uma prateleira com aba entalhada e pintada, com motivos florais.

Este modelo, de grande sucesso em Portugal, suplantou a clássica arca e está, possivelmente, na raiz dos armários louceiros seiscentistas.