Pequenos cofres eram frequentemente utilizados como caixas de hóstias e relicários ou para transportar o Santíssimo Sacramento na Procissão de Sexta-feira Santa. Embora a utilização sacra fosse a mais comum, os cofres também podiam servir como guarda-joias. Da coleção do museu destaca-se este magnífico cofre indo-português, de finais do séc. XVI, em tartaruga, com guarnições de prata profusamente trabalhadas, apresentando ornatos de cariz vegetalista e animais estilizados. As ferragens são também em prata cinzelada e o ferrolho tem forma de lagarto.
A interpenetração cultural é bem patente neste cofre, sendo a tartaruga, os motivos decorativos e o lagarto temas comuns da arte indiana, ao passo que os pequenos anjos, sobre os quais está montado o cofre, remetem de imediato para a cultura ocidental católica, cuja influência se fez sentir profundamente através da ação missionária.