Esta tábua fazia parte de um retábulo, executado por Bernardo Manuel – 2º Mestre de Santa Clara – entre 1570-1580. É testemunho do maneirismo tardio que se praticava em Coimbra na transição para o séc. XVII e se prolongaria até ao seu final. A matriz da escola coimbrã tardo-gótica, de seu avô Vicente Gil, está bem patente na distribuição das figuras num espaço reduzido, no dramatismo das poses, no tratamento dos panejamentos e, inclusive, no desenho dos olhos. A composição continua a dividir-se em vários planos, albergando narrativas complementares, às quais o pintor acrescentou fundos de paisagem incluindo ruínas clássicas e um bestiário numeroso, num claro enriquecimento compositivo.