Concebida pela parceria lisboeta de Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão, esta pintura faz parte do primitivo retábulo-mor do Convento de Santa Ana. Nela se destacam, como principais características, o alongamento das figuras e o pronunciado volume dos panejamentos, numa gramática marcadamente maneirista. As cores vibrantes acentuam o ‘esfumado’ da figura de fundo, junto à cama de Santa Ana, denunciando a transição para o Proto-Barroco. As linhas compositivas e o tratamento da luz, orientadas para a Virgem recém-nascida, transmitem a mensagem-chave: o natal da Imaculada.

A sarja, pintada com pouca ou nenhuma preparação, imprime aos planos e, sobretudo, aos panejamentos um aspeto texturado e uma ilusão de volume difíceis de obter noutro suporte.

Os brincos que uma das personagens ostenta, os trajes e as cores conferem a esta pintura delicadeza e qualidade, reforçada pelas dimensões.