Plena de monumentalidade, e concebida para rematar um altar de templo, A Adoração dos Magos, de André Gonçalves, apresenta características evidentes do Barroco pictórico português: a sua estrutura de diagonais cruzadas, onde se evidencia o triângulo da esquerda, formado pelo anjo, pela Virgem com o Menino e por dois reis; o tratamento soprado dos panejamentos; os tons claros e suaves das carnações; a harmonia da paleta, de tons predominantemente quentes e a luz que incide insistente e clara, imprimindo à cena um recolhimento festivo.

Falta-lhe, porém, o movimento solto do Barroco, talvez por deficiente interpretação do modelo que segue. Com efeito, a pintura é uma cópia da tela de Giuseppe Chiari, desenvolvendo o mesmo tema, conservada no Museu de Dresden.