A rainha D. Leonor, consorte de D. João II, encomendou à oficina de Vicente Gil, sediada em Coimbra, o retábulo de que a Assunção era o painel central. Executado a óleo sobre madeira de carvalho, foi desmembrado e disperso. Este painel e um dos laterais, o S. Bartolomeu , conservam-se no Museu Nacional de Machado de Castro, desde a sua abertura ao público.

A doação régia desta pintura está firmada, à esquerda, no camaroeiro, ex-libris da Rainha, inciso invertido no corpete do anjo em segundo plano; enquanto no primeiro plano outro anjo exibe as armas reais no firmal do manto de brocado. Toda a cena se orienta para Deus Pai que, rodeado por querubins, envia à Virgem raios de bênção.

No plano terreno, distante de Maria e dos quatro anjos que a amparam na assunção, os Apóstolos, atónitos, rodeiam o túmulo vazio, numa clareira junto a arvoredo escuro e sem vida que contrasta com os tons quentes e luminosos da cena celeste.