Presença poderosa, esta peça apresenta o corpo de Cristo crucificado, em dimensões superiores ao natural, longilíneo, com caráter de arcaizante medievalismo. A cabeça pendente, já coroada de espinhos, rodeada de cabelos em volutas , atinge uma expressão dramática. O tronco negro, estriado pelo relevo das costelas, contrasta com o cendal branco, cruzado na cintura, donde emergem as pernas esqueléticas de pés cruzados, atravessados por um único cravo, característica deste tipo iconográfico . O alongamento do corpo exprime um sentimento plástico que é já gótico, a par do ritmo que contorciona toda a imagem. Mas a expressão dramática da boca entreaberta e o gotejar do sangue, ao longo dos braços, refletem um sentimento realista peninsular, embora mais português que espanhol, pela expressão resignada. Esta invulgar obra de arte provém do Oratório das Donas, do Mosteiro de Santa Cruz.