Estabelecendo os princípios de uma nova linguagem, Diogo-Pires-o-Velho introduz as primeiras manifestações da simbólica manuelina. A inovação surge na distribuição das roupas, de pregas finas caindo com naturalidade e delicadeza numa anatomia que se adivinha ainda rígida. Os traços mais originais concentram-se, no entanto, na cabeça, com a individualização da personagem: rosto sisudo, marcado por cabelos e barbas longos e escorridos, definidos por sulcos com leves ondulações, pescoço grosso, olhos rasgados, boca cerrada.

Com um livro aberto na mão esquerda, tem em contraponto, à direita, encostada a si, uma cruz em forma de X – vulgarmente conhecida como cruz de Santo André - relativa à sua crucificação.