O Mosteiro de Santa Cruz representa, na época manuelina, um dos lugares míticos e sagrados da nacionalidade. Foi então protagonista de profunda remodelação, patrocinada diretamente pelo Rei, tendo sido a fachada coroada por dois grandes anjos heráldicos tutelares do monarca e do reino, simbolizados respetivamente pela esfera armilar e pelo seu escudo. Muito frequentes nas obras de Diogo Pires-o-Moço, especialmente sustentando brasões de armas, estes anjos mostram grande elevação e serenidade. O gosto pelo pitoresco, pelos pormenores, como o arranjo dos cabelos e o diadema que os cinge, o anelado, o firmal e os sebastos das vestes, são bem característicos deste artista.