Tríptico da Paixão de Cristo | 1514-1517 | MNMC 2518;2519;11267

Por encomenda de D. Manuel I, Quentin Metsys executou em Antuérpia, entre 1514 e 1517, o tríptico de que se conservam os volantes. Estando o tríptico fechado, o observador deparava com a Anunciação – primeiro momento da vida terrena de Cristo – em grisalha, em tons de branco, cinza e rosa. Das cenas que encerram este ciclo falava o interior: ao centro, o Calvário; aos lados, a humilhação infligida pelos romanos (Flagelação) e pelos judeus (Ecce Homo). Os temas e as dimensões das figuras, a posição da cabeça e das mãos da Virgem, conservada em fragmento, parecem autorizar a restituição conjetural do Calvário.



Deposição no Túmulo | Séc.XVI | MNMC 4085

Produzida na primeira fase da obra do escultor normando João de Ruão, esta composição é considerada uma das suas obras-primas. Apresenta S. João e as santas mulheres, trajando à moda do séc. XVI, em movimentos comedidos, apenas adivinhados por ligeira torção dos corpos. A representação dos panejamentos e a delicadeza dos pormenores impressionam pela correção.
O impacto desta composição na época foi tão elevado que levou outras oficinas a reproduzir o mesmo tema, embora em variações menores.




Relicário | Séc.XIV 1ª metade | MNMC 6036

Este relicário combina a excelência de vários materiais. As formas atormentadas do coral parecem indissociáveis dos seus poderes profiláticos e da sua simbologia de longevidade. A prata explora as técnicas engenhosas dos ourives, associando a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Além do valor de símbolo heráldico, e participando duma visão codificada da obra de arte, o relicário do Santo Lenho repousa sobre dois leões de vulto pleno, guardiães possantes da fragilidade da sua relíquia, encimada pela cruz em aspa, símbolo de humildade. A utilização de dois leões liga-se às noções de força, esplendor e coragem, e à crença de que este animal nascia morto, voltando à vida três dias depois, quando o pai respirava sobre ele. O leão identifica-se, assim, com a figura de Cristo morto na cruz. Acreditar que os leões dormem de olhos abertos, também os tornava garantes da vigília e guardiães do sagrado.



Cavaleiro Medieval | Séc.XIV | MNMC 704

O cavaleiro representa Domingos Joanes, sepultado na Capela dos Ferreiros, como testemunham os atributos militares – elmo, cota de malha, escudo de armas e espada, sapatos de bico e esporas – e heráldicos – escudo de azul, com aspa de prata acompanhada de quatro flores-de-lis de ouro – que ostenta. A exaltação dos valores militares integra-se num contexto funerário, associando o cavaleiro a uma dimensão religiosa, bem característica da espiritualidade medieval.




Relicário | Séc. XIV | MNMC 6034

Figurando Nossa Senhora com o Menino, este relicário tem caráter excecional nas coleções portuguesas de ourivesaria medieval, onde raras são as esculturas de vulto.
Nesta representação, é retratada a moda feminina e sente-se já alguma expressão de ternura nas suas faces. Aproximada assim à condição humana, a imagem traduz uma maior empatia com os fiéis.
Dada a escassez de joias medievais, esta escultura assume igualmente a função de documento.


Cálice | Séc.XII | MNMC 6030

A peça mais antiga da coleção é o cálice de prata dourada que D. Gueda Mendes ofereceu ao Mosteiro de S. Miguel de Refoios. Obra-prima da ourivesaria do séc. XII, quer pela proporcionalidade e depuração das formas, quer ainda pela riqueza do programa iconográfico, representa, na copa, Cristo e os Apóstolos e, no pé, os símbolos dos evangelistas: S. Marcos é o leão; S. Mateus, o anjo; S. Lucas, o touro e S. João, a águia.

As figuras, bem como os seus enquadramentos, ao gosto românico, são executadas num relevo pouco acentuado que igualmente se observa nas legendas que contornam o bordo e a orla do pé. Este cálice utiliza um programa decorativo profuso, sem paralelos nacionais, em que a representação figurativa prevalece sobre a geométrica ou vegetalista.

Última Ceia | Séc.XVI 1530-1534 | MNMC 867-877

Este conjunto escultórico representa a Última Ceia, uma das mais impressionantes obras de escultura do renascimento europeu, devidas ao génio de Filipe Hodart. Modeladas em barro cozido, as figuras de Cristo e os seus Apóstolos, que constituem este conjunto, usam traje à época, possuindo elementos comuns que contrastam com uma forte individualização de cada uma das personagens. Hodart retratou figuras populares, identificadas na época com personagens conhecidas no quotidiano do Mosteiro de Sta Cruz, para o qual a obra foi executada. Eram mendigos ou trabalhadores das obras que aí decorriam.


Cristo Negro | Séc.XIV | MNMC 10891

Presença poderosa, esta peça apresenta o corpo de Cristo crucificado, em dimensões superiores ao natural, longilíneo, com caráter de arcaizante medievalismo. A cabeça pendente, já coroada de espinhos, rodeada de cabelos em volutas, atinge uma expressão dramática. O tronco negro, estriado pelo relevo das costelas, contrasta com o cendal branco, cruzado na cintura, donde emergem as pernas esqueléticas de pés cruzados, atravessados por um único cravo, característica deste tipo

O alongamento do corpo exprime um sentimento plástico que é já gótico, a par do ritmo que contorciona toda a imagem. Mas a expressão dramática da boca entreaberta e o gotejar do sangue, ao longo dos braços, refletem um sentimento realista peninsular, embora mais português que espanhol, pela expressão resignada. Esta invulgar obra de arte provém do Oratório das Donas, do Mosteiro de Santa Cruz.


 

 

Pietà | Séc. XVII 1685-1690| MNMC 1969

A Pietá esteve, durante muito tempo, atribuída a Juan de Juni, por se considerar que a arte espanhola seria a que melhor terá exprimido a profundidade do sentimento deste tema, tão difundido desde a Idade Média; hoje são consideradas evidentes quer a sua inserção na trajetória do mestre beneditino, quer as analogias estilísticas com a sua restante obra O reconhecimento deste equívoco é hoje inquestionável. Para tal, foi decisiva a publicação do investigador Robert Smith (1968) que apresentou o elenco das obras produzidas, e à data identificadas, do escultor beneditino Frei Cipriano da Cruz. Dela consta o núcleo de Coimbra, com as obras realizadas pelo monge, para a Igreja do Colégio da sua Ordem na cidade. A documentação coligida pelo historiador tornou evidente a inserção desta obra na trajetória do mestre, então identificado.


Capitel Sereia-Peixe | Séc.XII | MNMC 10454

Este capitel, de grande riqueza iconográfica, apresenta um motivo típico do românico – a sereia-peixe. Inspirado num bestiário popular, de origem oriental, simboliza o mar e tem um significado benfazejo e protetor. A peça apresenta decoração assimétrica em três faces, com repetição do tema: uma sereia segurando um peixe na mão direita e erguendo a cauda com a outra.