A 25 de março celebra-se a festa litúrgica da Anunciação. Esta data foi fixada em função do nascimento de Jesus Cristo, nove meses depois. Dos quatro evangelhos do Novo Testamento, apenas dois relatam este acontecimento: o de Lucas e o de Mateus. O Evangelho de S. Lucas relata a Anunciação à Virgem Maria, enquanto, no de Mateus, o anjo aparece em sonho a José. Porém, a história cristalizou a visão de S. Lucas e esta fixou-se de forma perene na arte religiosa. A representação da Anunciação é muito variada, muito embora alguns elementos sejam comuns: a Virgem e o Arcanjo Gabriel, o Espírito Santo, representado pela pomba, o livro e a açucena. Até ao século XI, a Virgem era retratada ocupada com lavores manuais quando é surpreendida pelo anjo. Esta é, de resto, uma representação comum na arte bizantina. A partir do século XI, sobretudo no ocidente, ela é representada com a Bíblia e um oratório.
Evocamos esta data apresentando a Virgem da Anunciação (MNMC 3441), uma das mais belas representações escultóricas do MNMC em exposição na galeria da escultura renascentista. Esta imagem de calcário representa a Virgem anunciada, ajoelhada sobre uma almofada, num genuflexório, em consonância com o modelo comum no séc. XVI – a Virgem, surpresa, soergue o olhar e eleva a mão ao coração. De certo modo, esta peça ainda constitui um enigma, objeto de estudos e teses, relativamente à sua iconografia e à identificação do artista que a produziu. Pertenceu à Sé de Coimbra.