Hoje comemora-se o dia de Santo Anselmo.

É um bom dia para lembrar um amplo projeto desenvolvido pelo MNMC, no âmbito da Coimbra Capital Nacional da Cultura - o projeto ‘PATRIMÓNIOS. Frei Cipriano da Cruz em Coimbra’.

Este projeto visava identificar e divulgar a obra deste monge-escultor, responsável por todo o programa decorativo de umas das mais belas edificações da cidade - a Igreja do Colégio de S. Bento - (lamentavelmente!) demolida em 1932.

Reunido, pela primeira vez desde então, todo este espólio entretanto disperso pelo país (em 11 instituições), foi também objeto de uma obra monográfica, com documentação inédita, determinante para a sua localização atual e para a identificação dos diferentes pintores/douradores, que com o escultor trabalharam.

Monge beneditino, Santo Anselmo, proclamado Doutor da Igreja em bula papal de Clemente XI em 1720, foi o primeiro teólogo-filósofo, célebre sobretudo pela sua produção teórica, na qual formula a prova ontológica da existência de Deus e defende a Imaculada Conceição da Virgem. É, por isso, também um dos Doutores da Virgem.

Para além da grande qualidade escultórica da obra de Frei Cipriano, esta representação de Santo Anselmo é também rara pela sua policromia, evidenciando um grande avanço tecnológico, sobretudo patente nos bordados de aplicação que imitam os têxteis. O autor deste trabalho foi também identificado nesta monografia – o pintor portuense Manuel Ferreira (1684-1691) - celebrando a importância do trabalho colaborativo no processo criativo deste importante legado.