HOJE, na rúbrica #versoREverso da obra de arte, homenageamos todas as Mães com o poema ‘Senhora do Ó’ de Isabel Pires, inspirado na escultura ‘Virgem do Ó, século XIV (MNMC645), declamado por Paula Sobral.

FELIZ DIA DA MÃE!

‘Senhora do Ó’

Não falemos de Deus nem de poder.

Por mais que te invoquem, madona extenuada,

estás só com esse ventre da vergonha,

igual a todas as mulheres desde há mil anos.

Como uma nau que regressa,

ficas de pé à boca do destino,

com flores douradas no vestido

e um manto que se enruga sobre o Ó

e tem o azul dos grandes paraísos.

Mulher, que fundes todas as mulheres

nos teus olhos de bicho resignado.

Mulher com pavor da hora que vem lá.

Com medo de morrer. Com medo

de um filho morto. Com medo

da dor que rasga. Com medo do sangue. Medo.

Não falemos de deuses nem de santos:

precisas de todas as mulheres

para ser mãe.

Isabel Pires

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