As vestes cristãs têm a sua origem em peças humildes do vestuário civil da Antiguidade Clássica. Adaptadas ao gosto de cada época, formam em regra conjuntos.  A dalmática (derivada da túnica curta usada pelos escravos da Dalmácia), a casula e o pluvial (ambos inspirados na paenula romana – um agasalho, largo e com capuz) são as peças mais importantes num conjunto.

 O altar da celebração da missa é muitas vezes paramentado a condizer com as vestes, através do frontal, símbolo da presença eucarística.  A cor dos paramentos está intimamente ligada ao calendário litúrgico, podendo o ouro verdadeiro substituir as três cores principais – branco, vermelho e verde.  Ao longo da primeira metade do séc. xvi, os paramentos são de preferência de veludo, damasco ou seda, por vezes enriquecidos por brocados e brocatéis, entretecidos com fios de ouro e prata. Os motivos decorativos têm grandes dimensões e prolongam o gosto do séc. xv pelas ramagens que envolvem romãs ou cardos. Em casos excecionais, a imaginária hagiográfica, bordada a sedas policromas, invade os sebastos.


A segunda metade do século evolui para uma linguagem maneirista. As imagens religiosas bordadas encontram-se bem delimitadas por medalhões “ao romano” ou cartelas flamengas.  O encontro de culturas promovido pelos descobrimentos e pela ação missionária favoreceu a importação de paramentaria religiosa da Índia e da China, ao longo dos séculos xvii e xviii. Estas peças apresentam por vezes composições híbridas, de efeito exótico, nas quais a densidade do ornato é privilegiada em detrimento da figura humana. A sensibilidade barroca exprimia-se sobretudo através da refulgência do ouro e da prata e do movimento ondulante dos motivos decorativos.  Na segunda metade do séc. xviii, os motivos mais estilizados e assimétricos do estilo rococó introduzem, na paramentaria, uma leveza até então desconhecida.