A mobilidade das coleções é uma prática atualmente consagrada que ajuda a aproximar cultura e cidadãos e a avaliar a dimensão do património museológico. Tesouros Partilhados inscreve-se nesse conceito, unindo museus nacionais com interesses comuns, num projeto de divulgação de objetos de qualidade excecional. Numa partilha entre o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Nacional de Machado de Castro, a 7ª edição desta rúbrica apresenta a pintura ‘Virgem com o Menino e Dois Anjos’ (1450-1500), atribuída ao Mestre de Santa Clara, e classificada como Tesouro Nacional. 

A obra, na posse da família Espírito Santo durante décadas, esteve dada como desaparecida pelos especialistas em arte antiga, tendo aparecido à venda no leilão Palácio do Correio Velho, em março de 2015. Adquirida pelo Estado, através da Direção Geral do Património Cultural, foi então incorporada no Museu Nacional de Arte Antiga.
Trata-se de uma pintura a óleo e têmpera sobre madeira, designada por Nossa Senhora da Graça, uma das mais populares devoções nas igrejas portuguesas no final da Idade Média. Apesar disso, e como aconteceu com quase toda a pintura do século XV, poucos exemplares chegaram até nós. O quadro sofreu alterações, não sendo claro tratar-se de um tríptico ou de três fragmentos de uma única pintura. Mesmo na construção material, o painel é algo invulgar, utilizando madeiras diferentes. Pode contudo associar-se ao pintor conhecido como Mestre de Santa Clara e ao Tríptico (com o mesmo nome) feito para este convento de Coimbra, datado de cerca de 1486, que se conserva e expõe no Museu Nacional de Machado de Castro e que documenta uma oficina talvez sediada nesta cidade.