Placa heráldica, Séc.XVI, MNMC 1400

Placa heráldica, Séc.XVI, MNMC 1400

A colecção de cerâmica do Museu, constituída por azulejos e cerâmica móvel, inclui exemplares provenientes dos conventos extintos, do Paço Episcopal, aquisições e ofertas e no seu conjunto é representativa da produção nacional do século XVI ao 1º quartel do séc. XX. O núcleo de azulejaria inclui um vasto conjunto representativo da produção sevilhana da 1ª metade do séc. XVI, “corda seca” e “aresta” destacando-se a placa com as armas do Bispo D. Jorge de Almeida que governou a Diocese de 1481 a 1543.

Frontal de altar, Séc. XVII, MNMC 1426

Frontal de altar, Séc. XVII, MNMC 1426

São do séc. XVII os frontais de altar que substituíram os originais em tecido, importados de Espanha e Itália, na sequência das recomendações do Concílio de Sevilha realizado em 1509 que desaconselhava o uso de paramentaria de luxo. No séc. XVIII merece referência especial o conjunto de painéis representando os edifícios projectados por William Elsden no âmbito da Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra, 1772-1777, destacando-se o do Laboratório Chimico, único projecto concretizado, agora ocupado pelo Museu da Ciência

Pote, Séc.XVII, MNMC 9601

Pote, Séc.XVII, MNMC 9601

Após um período que pode considerar-se de aprendizagem, de que são exemplos as faianças monocromas brancas ou com alguns apontamentos a azul, seguiu-se o período mais importante da cerâmica em Portugal, aquele em que os oleiros foram realmente inovadores, ao precederem em alguns decénios aquilo que se tornaria comum na cerâmica europeia, ou seja a introdução de temas inspirados na porcelana importada da China. Estas «faianças de influência oriental», foram produzidas durante o séc. XVII, incluindo a colecção deste Museu exemplares significativos dos grupos em que é costume dividi-la. Ao primeiro grupo, correspondente ao 1º quartel do século XVII pertencem as peças com decoração exclusivamente oriental de que são exemplo as peças com a característica divisão em painéis e os animais em paisagem exótica, cópia da «porcelana de carraca» produzida no reinado de Wanli (1573-1620). 

Garrafa, Séc.XVII, MNMC 3451

Garrafa, Séc.XVII, MNMC 3451

No 2º grupo incluem-se as peças em que temas europeus se mesclam com os orientais , nomeadamente as comemorativas da Restauração, como a garrafa datada de 1641 e um exemplar cujo motivo central é um cavaleiro armado à maneira da época .

Bule, Séc.XVII, MNMC 9593

Bule, Séc.XVII, MNMC 9593

Pela sua raridade refere-se ainda um bule, de meados do século, que é também um exemplo da chamada decoração tipo «desenho miúdo», inspirada nos exemplares produzidos na China no «Período de Transição» (1620-1683). 

Prato, Séc.XVII, MNMC 9621

Prato, Séc.XVII, MNMC 9621

Com o decorrer do século a influência oriental vai-se esbatendo e se nas peças decoradas com «aranhões», símbolos chineses muito estilizados, ainda é manifesta, nos exemplares designados de «três contas» e «faixas barrocas» já é dificilmente perceptível. Ao contrário da produção anterior, toda de Lisboa, algumas destas tipologias seriam de fabrico coimbrão, nomeadamente as de «rendas», por vezes associadas ao escudo do convento de Santa Clara 

Prato, Séc.XVIII, MNMC 9502

Prato, Séc.XVIII, MNMC 9502

Do início do séc. XVIII são as chamadas faianças do «Monte Sinai», decoradas com motivos fitomórficos em reservas, em que a decoração azul, representa a única ligação com as porcelanas do Oriente. 

Prato, Séc.XVIII, MNMC 9312

Prato, Séc.XVIII, MNMC 9312

Das olarias de Coimbra (Agostinho de Paiva e continuadores) saíram as cerâmicas mais originais da primeira metade do Séc. XVIII, caracterizadas pela decoração em reservas preenchidas com reticulado, por vezes alternando com acantos. 

Galheta, Séc.XVII, MNMC 9594

Galheta, Séc.XVII, MNMC 9594

Interessantes também são os motivos do fundo dos pratos, ostentando espirais, nomes de família, paisagens simplificadas, dísticos e alegorias, em que se distinguem as referentes aos cinco sentidos, tema muito em voga nos períodos Barroco e Rococó. A influência holandesa está presente nos azulejos de «figura avulsa», decorados com temas de feição naturalista, que se repetem nos pratos. Com a fundação da Fábrica do Rato em 1767 assiste-se à inversão desta tendência, iniciou-se um período de grande desenvolvimento que terminou com as Invasões Francesas. 

Travessa, Séc.XVIII, MNMC 4743

Travessa, Séc.XVIII, MNMC 4743

Os novos temas decorativos e os aperfeiçoamentos técnicos introduzidos por Tomás Brunetto (1767-1771), mestre italiano, chamado pelo Marquês de Pombal para a dirigir, podem ser apreciados nas peças marcadas com as iniciais F.R.T.B, representando animais domésticos e de caça e outras com a característica decoração esponjada. De grande qualidade são as louças decoradas a azul, produzidas de 1771 a 1779, época em que a fábrica foi dirigida por Sebastião de Almeida. 

Terrina, Séc.XVIII, MNMC 1484

Terrina, Séc.XVIII, MNMC 1484

Assistiu-se então à abertura de diversas fábricas, no Porto, Lisboa, Coimbra, Viana do Castelo (Darque) e Estremoz, cuja produção reflectia a influência inglesa e o gosto pelo neo-clássico. 

Pia de água-benta, Séc.XVIII, MNMC 9817

Pia de água-benta, Séc.XVIII, MNMC 9817

No Porto destaca-se a família Rocha Soares proprietária da fábrica de Miragaia, fundada em 1775, que em diversos momentos assumiu a gestão das congéneres mais importantes. As suas peças são facilmente identificáveis pelos vazados e vidrado azulado. Noutros casos, a uniformidade da decoração e ausência de marcas estabelece a confusão, mas as representações naturalistas de Estremoz, os pratos com medalhões de Santo António do Vale da Piedade, as paisagens da Bica do Sapato e as esculturas brancas do Rato, são inconfundíveis. A produção de Coimbra está representada pelas peças de Brioso e Vandelli, do último terço do séc. XVIII e dos seus continuadores durante o século XIX. 

Fonte de parede, Séc.XVIII, MNMC9426

Fonte de parede, Séc.XVIII, MNMC9426

É costume dividir a produção de Brioso em duas fases: «Brioso 1ª época», caracterizada pela decoração em azul e manganês e «Brioso 2ª época», em que se assiste ao aparecimento das decorações florais em policromia, destacando-se por estar assinado e datado, o depósito de lavabo, que resume a técnica de Manuel da Costa Brioso. 

Terrina, Séc.XVIII, MNMC 10009

Terrina, Séc.XVIII, MNMC 10009

De Vandelli, pode dizer-se, que desempenhou na cerâmica de Coimbra o mesmo papel que Tomás Bruneto teve na renovação da cerâmica portuguesa. De origem italiana, Vandelli foi também chamado pelo Marquês de Pombal para leccionar na Universidade de Coimbra, no âmbito das reformas entretanto implementadas nesta escola. Da sua fábrica do Rossio de Santa Clara, fundada em 1784, saíram diversas peças de forma, destinadas a uma classe mais endinheirada, como a terrina, em policromia de grande fogo, decorada com a característica casa entre arvoredo e as pegas representando flores ou frutos. 

Prato, Séc.XIX, MNMC 9960

Prato, Séc.XIX, MNMC 9960

Falecido em 1816, são dos seus continuadores a grande caneca decorada em estilo D. Maria e um prato retratando um soldado uniformizado à maneira da época. Mas estas são peças excepcionais, já que a produção corrente seria de muito fraca qualidade e sem valor artístico, nomeadamente a louça estampilhada, introduzida no segundo quartel do Século. Destinados aos menos endinheirados eram os chamados «pratos ratinhos», produzidos desde finais do séc. XVIII, decorados com flores e penas os de fabrico mais recuado e com figuras típicas, os mais recentes. 

Garrafa antropomórfica, Séc.XVIII, MNMC 9438

Garrafa antropomórfica, Séc.XVIII, MNMC 9438

São também de Coimbra a maioria das garrafas antropomórficas representando figuras trajando à maneira da época, cujo fabrico, tipicamente português vem na sequência da popularidade das canecas antropomórficas («toby jugs») importadas de Inglaterra.