Atualmente, não é muito vasta a coleção arqueológica deste Museu. Na sua maioria, provém da parte alta da cidade, de locais correspondentes a pontos importantes na época romana: muralha e necrópole, centro forense, quarteirão habitacional situado no topo da colina, hoje ocupado pelo pátio da Universidade, e outro, de descoberta recente, a oeste do forum, que poderá também corresponder a um edifício público.



Com origem no Instituto de Coimbra, a coleção foi constituída a partir de 1873, compreendendo «objetos de pedra, bronzes, ferro e barro». As peças pré-históricas – lâminas de silex, machados de pedra e três machados de bronze – devem-se às prospeções de superfície que António da Costa Simões e Augusto Filippe Simões fizeram nos distritos de Coimbra e Évora. Da época romana são as lápides sepulcrais encontradas em 1774, junto do castelo medieval, então demolido para se dar, nesse local, início à construção do observatório astronómico projetado no âmbito da Reforma Pombalina.

A cabeça imperial coroada de louros, descoberta em 1844, na vila de Bobadela, deu entrada no Instituto em 1875, data em que lhe foi oferecida uma insólita escultura, representando um macaco, achada numa sepultura “ de mármore branco”, junto de Estremoz.
São, todavia, as escavações de Conimbriga, iniciadas em 1899, pelo próprio Instituto de Coimbra, que irão trazer a este núcleo maior e mais diversificado espólio, incluindo os mosaicos que descobriram e de imediato transferiram.

Dos períodos suevo-visigótico e árabe recolheram-se algumas peças importantes das quais, a mais notável, conservada no Museu Machado de Castro, é o belo capitel califal, proveniente de Montemor-o-Velho.

Posteriormente à criação deste Museu, outros achados arqueológicos, com proveniências diversas, vieram enriquecer as suas coleções. No entanto, a parte mais valiosa do acervo provém da própria cidade de Coimbra, sobretudo das demolições dos anos 40 e das fundações das novas Faculdades, e das escavações do criptopórtico. Iniciadas por Vergílio Correia em 1930, tiveram um forte impulso entre 1955 e 1962, quando a DGEMN assumiu o projeto de libertar todas as galerias do piso superior e consolidá-las. Nessa altura, a direção científica foi assegurada por João M. Bairrão Oleiro. Entre muitos milhares de fragmentos cerâmicos, situados entre o Alto Império Romano e os inícios do séc. XVII, recuperam-se alguns fragmentos arquitetónicos e quatro retratos imperiais do maior interesse, já pela sua qualidade artística já pela sua cronologia, importante para a história da cidade e também do próprio forum.

Novas campanhas de escavação arqueológica em 1989-1990 e 1992-1997 dirigidas, respetivamente, por Jorge Alarcão e Pedro Carvalho vieram ajudar a libertar e entender melhor o nível inferior do criptopórtico e a definir a correspondência do nível superior com os edifícios que a ele se sobrepunham, nomeadamente, a basílica.

Os materiais recolhidos permitem fixar a data de construção do complexo forense nos meados do séc. I e confirmam que – após o abandono, por certo lento, na sequência da invasão suévica – o nível mais baixo do criptopórtico se manteve parcialmente em uso, com entrada direta pelo canto sudoeste, ainda no séc. XIX.

O completo entulhamento deste pódio, para reforma do paço episcopal medievo e lançamento da galeria de Tércio, foi também esclarecido, confirmando-se a sua datação nos séculos XVI-XVII.

A. Alarcão