Remonta ao ano de 1098 a mais antiga referência que se conhece desta igreja. Localizava-se perto do rio, no local hoje conhecido por “Terreiro da Erva”.

Está também documentada a sua doação, em 1102, por D. Maurício, à época bispo de Coimbra, ao mosteiro cluniacense de Santa Maria da Caridade (Charité-sur-Loire), para hospício dos franceses.

Data ainda do séc. XII, mas já no período afonsino, a reconstrução da igreja e seus anexos, obra do presbítero Rodrigo, falecido em 1155, conforme testemunha a inscrição comemorativa que actualmente integra o acervo do Museu.

No reverso desta lápide encontra-se gravada uma cabeça de felino de cuja boca saem ramagens; a placa parece corresponder ao reaproveitamento de uma pedra da anterior igreja. A importância acrescida desta peça justifica-se assim, quer pelo seu valor histórico-documental, quer por constituir o único vestígio actualmente existente da igreja de Santa Justa, dita a Antiga.

As enormes cheias e consequentes aluviões que assolaram a baixa da cidade, periodicamente, obrigaram ao abandono definitivo deste templo, em 1708. Dele se conservaram, até meados do séc. XX, alguns elementos, de carácter vincadamente gótico, testemunhando uma remodelação total, sofrida em finais do século XIII ou inícios do XIV. Hoje em dia, nada disso é vísivel.

 MNMC 653 MNMC 653

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HOC : IACET :IN PULCRO : RODERICUS : NEMPE :SEPULCRO. / QUI : DOMINO : CELI : SERVIVIT : CORDE : FIDELI : / NAMQUE : LOCO : XPISTO : TEMPLUM : CONSTRUXIT : IN ISTO / QUOD : BENE : DITAVIT : SACRIS : DONISQUE : BEAVIT / CLAUSTRI : STRUCTURAS : FUNDAVIT : NON : RUITURAS : / ATQUE : DOMOS : CUNCTAS : PER : CIRCUITUM : BENE : IUNCTAS : / SED: VIGILI : CURA : MISERIS : DANS : HIC : SUA : IURA : / TEMPORE : SUB : SCRIPTO : MIGRAVIT : PRESBITER : ISTO : / XVIII : KALENDAS : SEPTEMBRIS : ERA : M : C : LXXXXIII : /