A Sé românica de Coimbra, chamada Sé Velha após a transferência da função catedralícia para o antigo Colégio de Jesus, no séc. XVIII, constitui um dos mais importantes exemplos do românico português. Não se conhece de fonte segura a data do início da obra. Porém, a referência documental à sagração, em 1147, do bispo D. João Anaia, na igreja de Santa Maria, aquela que antecedeu a românica, sugere que a nova igreja terá sido iniciada entre essa data e o começo da década de 50, por aquele prelado.

Em 1162 sucede-lhe D. Miguel Salomão que chama a Coimbra o mestre Roberto, então ocupado na construção da Sé de Lisboa, para introduzir melhorias na obra da sua catedral, incluindo o portal oeste, que estaria concluído em 1172. Nesta data falecia mestre Bernardo, que ali trabalhava pelo menos desde 1162, ignorando-se se terá sido ele o autor do projecto inicial.

Interior da Sé Velha

Interior da Sé Velha

Fortemente marcada pelo plano e ambiente das grandes igrejas de peregrinação de Itália, França e Espanha, no caminho de Santiago, a catedral exibe um alto nível artístico, aliando os padrões internacionais e a criatividade dos arquitectos franceses, à tradição veiculada pela mão-de-obra mudéjar.


A presença de Roberto está bem patente no característico narthex e nas fases iniciais do lanternim e do claustro.

MNMC 160

MNMC 160

O mais antigo testemunho epigráfico cristão proveniente da Sé de Coimbra é a inscrição descoberta em 1895, posteriormente integrada no espólio do Museu e que actualmente voltou (a título de depósito), ao local a que pertenceu. Trata-se de um lintel, datável do último quartel do séc. XI ou dos inícios do XII