Provavelmente, o traçado da muralha medieval seguiu de muito perto uma pré-existência romana. Não existe porém, investigação arqueológica suficiente para se poder dizer se há total coincidência das áreas muralhadas nas duas épocas; nada se conhece sobre a existência de uma muralha no Alto Império e, por comparação com outras cidades muralhadas no Baixo Império, seria razoável supor que a área de Aeminium protegida neste período fosse inferior à delimitada na Idade Média. Todavia, a conjugação de todos os dados conhecidos parece mostrar que tal não sucedeu, permitindo a proposta apresentada por J. Alarcão.Muralha medieval, segundo J.Alarcão O percurso da via Olisipo-Bracara no âmbito da cidade, proposto por V. Mantas, é o mais verosímil quer pela orientação, face à ponte, quer pelo nível a que se encontravam esses terrenos, muito mais próximo do nível do porto fluvial.

Arco de Belcouce

Pormenor da Porta de Belcouce. Desenho de Baldi

Pormenor da Porta de Belcouce. Desenho de Baldi

Belcouce significa “junto ao arco”. Com efeito, sabe-se que no lugar da porta medieval, conhecida por este nome, existia um arco tetrapilo romano que a construção da porta transformou, reutilizando-o parcialmente. Sobre ele existem referências literárias, dos sécs. XVI e XVII, que o descrevem como um arco triunfal, e apontamentos desenhados (na gravura de Hoefnagel, publicada em 1572 por Georg Braun, e noutra divulgada em 1703, da autoria de Adlerhold) que lhe conferem localizações ligeiramente diferentes. Cerca de 1636, D. Jerónimo Mascarenhas, bispo de Segóvia deixa uma descrição pormenorizada do conjunto que porta e arco fariam naquela data. Um documento camarário de 1778 autoriza a destruição do arco, e provavelmente da porta, embora não a refira.