‘A pintura é uma poesia que se vê e não se sente, e a poesia é uma pintura que se sente e não se vê’
Leonardo da Vinci

Este é um projeto que procura conciliar a comunicação museológica com o discurso da poesia, elegendo o Museu como o lugar poético da memória.

Na genealogia dos museus, a mitologia clássica explica a filiação destas instituições culturais, ligando-as ao mundo da poesia e de outras artes. Conta-nos o mito que a poesia épica de Calíope [uma das nove Musas que era filha de Zeus com Mnemosine – aquela que preserva do esquecimento], unida à lira de Apolo, gera Orfeu, o maior poeta cantor, aquele que com a sua voz seduzia, encantava e cicatrizava pedras, plantas, animais e homens. Por seu turno, Orfeu unindo-se a Selene (a Lua) gerou Mouseion.

Essa experiência curativa pela redenção poética transcende a escrita e a memória, manifestando-se num sentimento de admiração e de assombro. Por vezes, de forma inesperada e surpreendente, do assombro nasce o conhecimento no espaço de um Museu, tal como nos descreve Ana Hatherly num fragmento da sua ‘Tisana 131’: ‘Passeava num grande museu quando de súbito compreendi: sala a sala andar a andar tudo eram enormes folhas dum enorme livro tão grande que era preciso caminhar por ele fora…’

Desfolhemos, então, as páginas deste livro que pode ser um Museu e contemplemos o encontro entre a obra de arte e a palavra poética, lançando um outro olhar sobre algumas peças das diversas coleções deste Museu…

Abrimos o livro com o Capitel califal e a poesia de João Miguel Fernandes Jorge: https://www.facebook.com/145797318798963/videos/345485496411266/